ALIMENTAÇÃO










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   Os princípios de uma alimentação correcta são fundamentais para a criação de qualquer espécie animal, e as aves não são excepção. Uma boa alimentação é a que reúne todos os elementos indispensáveis a um equilíbrio de vida e a um aumento das resistências orgânicas das aves, conduzindo a um bom estado de saúde e vitalidade ou permitindo o seu restabelecimento rápido e eficaz em caso de doença.
   A mistura de sementes é a base da alimentação. Aves essencialmente granívoras, os canários gostam de muitas variedades de sementes, embora as que se utilizam normalmente são as que encontramos no comércio, simples ou já em forma de mistura. Estas misturas geralmente contêm: alpista, niger, aveia, cânhamo, nabo, linhaça, painço e colza. A alpista é a semente principal da alimentação dos canários. As misturas encontradas no comércio geralmente têm a qualidade suficiente para as exigências dos canários.
   Embora seja um tema melindroso e discutível, onde os critérios não são unânimes, variando de criador para criador não só nas espécies de sementes como na proporção das misturas, segue-se algumas fórmulas, adaptadas às diferentes épocas do ano:

- Mistura ideal para criação: alpista 40%, niger 20%, nabo 10%, colza 5%, aveia 5% , cânhamo 5%, linhaça 5%, outras sementes 10%.

- Mistura ideal para manutenção e muda: alpista 55%, niger 15%, nabo e colza 10%, cânhamo 5%, linhaça 5%, aveia 5%, outras sementes 5%.

- Mistura ideal para pré acasalamento: alpista 35%, niger 15%, nabo e colza 15%, cânhamo 10%, aveia 10%, linhaça 10%, outras sementes 5%.

- Mistura ideal para pré concurso: alpista 60%, niger 10%, nabo e colza 10%, aveia 5%, cânhamo 5%, linhaça 5%, outras sementes 5%.

- Mistura ideal quando há sintomas de doença ou convalescença: alpista 80%, aveia 10%, outras sementes 10%.

   De quando em quando (uma vez por semana), como guloseima pode dar-se em pequenas quantidades e em separado, uma mistura de sementes gordas (chamadas as sementes de saúde), a que os ingleses chamam de "prato forte".
   Muito importante, mais do que a mistura é sem duvida a qualidade das sementes; evitar sementes velhas, com poeiras, mal acondicionadas, partidas etc.

Os alimentos complementares

   A alimentação dos canários não se pode restringir às sementes, pois estas não lhes fornecem tudo o que é necessário para cobrir as suas necessidades orgânicas. Não se deve sistematicamente recorrer a medicamentos como vulgo designamos algumas vitaminas sintéticas que adquirimos no mercado, pois pode-se fornecê-las através da alimentação, embora essas sejam sempre indispensáveis.
   Nos alimentos complementares, que podemos subdividir-se em substâncias vegetais frescas (verduras e frutas), e alimentos proteicos e calóricos (papa de ovo e frutos secos), encontramos as fontes de fornecimento das necessidades orgânicas das aves, (como as mencionadas vitaminas).

   As verduras: todo tipo de verduras frescas que eles gostem são boas. Muito ricas em vitaminas, fósforo, potássio, ferro e outros sais minerais. Entre outras (alface, espinafres, couves, brócolos, chicória, agriões, etc.). É muito importante que sejam frescas, e bem lavadas (para eliminar qualquer possível resto de substancias químicas tóxicas), além de bem escorridas, limpas e secas antes de administrar.
   Outras hortaliças frescas de óptimas qualidades e ricas são: a cenoura, a fava, e a ervilha (se bem tenras e doces), o pepino, o tomate e os pimentos (bem maduros), etc. A cebola e o alho são também de grande importância e valor nutritivo. A cebola, tem propriedades diuréticas e vermífugas alem de exercer uma acção estimulante e anti-séptica sobre as mucosas do aparelho respiratório. O alho que tem propriedades similares é também anti-séptico e acaricida, alem de ser um óptimo depurativo e muito rico em ferro, pode administrar-se em forma de farinha (pó), ou sumo, nas papas ou água, bem como meter um dente de alho dentro do bebedouro que para além de lhes fornecer todas essas propriedades serve também como desinfectante da água de beber.

   As frutas: muitas vezes os canaricultores deixam passar muito tempo sem dar frutas aos seus canários, isto reverte-se num erro grave, pois tratam-se de alimentos muito importantes para a saúde deles. Todas as frutas são ricas e saudáveis, mas a maçã é a mais indicada, e merece um posto de honra. Um pedaço desta fruta renovada diariamente não deve faltar pelo menos 4 vezes por semana, excepto na época de criação que se deve dar diariamente. Outras frutas são igualmente aconselhadas desde que estejam maduras e sejam bastante açucaradas, tais como: kiwis, laranja e limão (ricas em vitamina C), pêssegos, alperces, figos, morangos, pêra, abacate, banana, nêsperas, uvas, melões, melancias, diospiros, cerejas, ameixas, etc. Claro que as preferências e gostos variam de ave para ave, só experimentando podemos saber o que eles vão comer e o que vão rejeitar, no entanto todas elas são muito ricas, para a sua dieta alimentar.
   Os frutos secos são também muito nutritivos e energéticos sendo por vezes muito desejados e apreciados (constituindo uma autentica guloseima) pelos canários, como por exemplo; figos, uvas, nozes, avelãs, pinhões, amêndoas, tâmaras, ameixas, etc.

   O ovo: principalmente a gema do ovo deve ser administrada de quando em quando, mas converte-se em alimento básico durante a época de criação como componente integrante da papa. Ter em atenção a cozedura, pois o ovo é o maior portador de salmonelas, uma boa cozedura é indispensável (deixar cozer 10 a 15 minutos após o inicio da fervura).

   A papa: tal como o ovo a papa de ovo é um alimento altamente proteico. A papa de ovo deve estar sempre presente na alimentação dos canários. No mercado existem varias papas, óptimas, é preciso é saber adaptá-las caso a caso, deve-se ter em atenção a composição, principalmente a proteína e a gordura e ajustá-las às necessidades das aves que criamos.
   Também há quem faça a sua própria papa. Deve-se utilizar matérias de primeira qualidade e diversificadas, aliadas a um bom confecionamento.
   Embora cada criador tenha a sua própria receita, eis uma fórmula razoável e ajustada de papa a confeccionar artesanalmente, base: pão ralado, biscoitos e gema de ovo, mel, maçã sumo de frutas e sais minerais, levedura de cerveja, gérmen de trigo e sementes o mitológicas.

   Alimento animal: a proteína animal é muito importante na dieta alimentar dos canários. Sendo difícil de os fazer comer insectos, temos de lhes administrar papa insectívora, (que eles também não apreciam), junto com a de ovo conseguindo-se que eles a comam. Também junto com a papa se pode administrar ovos de formiga, farinha de peixe ou carne. O ovo é também fonte de alimento de origem animal, mas não é o suficiente.
   A alimentação também deve ser acompanhada de outros elementos na sua dieta para suprir as necessidades não satisfeitas através das sementes, frutos, verduras frutos como as substâncias minerais e vitaminas.

   Os minerais: Os alimentos e a água por si só já contêm minerais, mas não em quantidades suficientes de modo a satisfazer as necessidades dos canários, pelo que é indispensável administrar regularmente complementos minerais.
   Estes são elementos de vital importância na vida das aves, basta pensarmos que o esqueleto das aves é praticamente constituído por minerais, essencialmente cálcio e fósforo. Os minerais são ainda matérias indispensáveis para os tecidos e líquidos do corpo, assim como tem um papel importante na actividade de cada célula do organismo.
   Os minerais são divididos por dois grupos; aqueles que são necessários em quantidades importantes, como o cálcio, o fósforo, o sódio, o cloro, o enxofre, o magnésio, o carboneto de soda natural e aqueles em que uma pequena quantidade é suficiente, tais como o manganésio, o iodo, o zinco o cobalto e o ferro.
   A casca de ostra e o osso de choco são muito ricos e não devem faltar na gaiola durante todo o ano, pois é ai que as aves vão buscar o cálcio de que precisam em maiores quantidades daquelas encontradas na alimentação. O osso de choco para alem do fornecimento de minerais é óptimo para corrigir o crescimento do bico. Pode recorrer-se a um bloco mineral sintético que já existe no mercado caso não consiga arranjar o osso de choco.
   Para além do já citado deve-se juntar na alimentação sais minerais que facilmente se encontram no comércio especializado em forma sólida ou em pó para misturar nas papas.
   O carvão de madeira é outro mineral importante na dieta alimentar dos canários, é um óptimo desinfectante intestinal e eficaz contra as fermentações anormais, portanto muito útil durante a fase de criação das ninhadas. Pode-se utilizar separado num comedouro ou misturado com outros minerais ou ainda na papa. Outra fonte mineral boa e fácil de conseguir é a terra natural (não adubada ou alterada e sem estar em processo de decomposição), e areia (grite). Este não deve faltar na gaiola, dá-se num comedouro separado onde os canários vão comer, ingerindo assim pequenas partículas duras que facilitará a digestão. As aves não mastigam os alimentos, os quais são ingeridos sem serem triturados, dai o grite ou areias serem de grande importância pois junto com os alimentos na moela vão ajudar à trituração dos mesmos.
   Durante o período de criação deve suspender-se o grite, pelo facto das aves jovens ainda terem as mucosas tenras que poderiam ser prejudicadas pelos corpos duros.

   As vitaminas: são corpos químicos indispensáveis em pequenas quantidades para manter a vida, o crescimento e o normal funcionamento dos órgãos do corpo.
   As vitaminas as aves vão buscá-las à alimentação (as naturais), mas as quantidades produzidas por estas não são suficientes, pois também normalmente as vitaminas não são produzidas no próprio organismo do canário sendo necessária a administração pela mão do homem através da alimentação (as sintéticas; em forma de gotas liquidas, pó, comprimidos ou cápsulas).
   A falta de vitaminas provoca retardamentos no crescimento, resistência débil as doenças, dificuldades na criação, etc. muitas das vezes até a morte.
   Um excessivo uso de vitaminas também provoca danos no organismo.
   As vitaminas eram só por si tema para um artigo bastante longo, dai não entrar em pormenores, tanto de descrições como de funções da generalidade, mas apenas deixar uma abordagem superficial das mais importantes e necessárias.

   Vitamina A: encontra-se nas frutas e verduras (couves, cenouras, espinafres, alfaces, alperces, pêssegos, melões, etc.), quanto maior for a cor verde ou amarela da fruta ou verdura melhor. Outra fonte importante de vitamina A é o óleo de fígado bacalhau.
   É necessária ao desenvolvimento do organismo, fortalecendo-o e evitando o aparecimento de doenças. A carência de vitamina A pode provocar raquitismo e perturbações da visão.

   Vitamina B: Divididas em Bi, B2, B3, B5, B6, B8, B12, estas encontram-se na gema de ovo, arroz com casca, milho, frutos secos, gérmen de trigo, soja, frutas e verduras, produtos lácteos, levedura de cerveja, etc. São essenciais na vida das aves, ajudam ao equilíbrio orgânico da ave. A sua carência pode provocar problemas, nervosos, circu¬latórios, intestinais, digestivos, neurológicos, hepáticos, anémicos etc.
   A sua utilização em aves que estejam a ser medicadas com antibióticos, sulfamidas ou antiflamatórios é de grande importância.

   Vitamina C: Esta vitamina encontramo-la em grande quantidade nas frutas principalmente cítricas e verduras (laranja, limão, kiwi, morangos, espinafres, brócolos, couve, etc.), esta vitamina tal como as outras é importantíssima no desenvolvimento e equilíbrio do organismo, mas essencialmente é a vitamina que cura e previne o escorbuto. Melhora a fertilidade e diminui a mortalidade embrionária.

   Vitamina D: Os alimentos ao contrário das outras vitaminas não aportam grande quantidade de vitamina D, pode-se encontrar em poucas quantidade nos óleos de fígado de bacalhau, produtos lácteos e gema de ovo. A luz é uma óptima fonte para a sintetização da vitamina D no organismo das aves, daí a luz natural ser essencial, mas em quantidades adequadas. A sua carência conduz a um débil crescimento (raquitismo), A sua administração é óptima em casos de desnutrição, aves jovens ou velhas, fêmeas reprodutoras e todas as aves com falta de luz natural.

   Vitamina E: Chamada a vitamina da fertilidade ou da reprodução. Encontra-se no gérmen de trigo, óleos de sementes e frutos oleaginosos (milho, girassol, soja, noz, azeitona, colza, amendoim, etc.), gema de ovo, arroz, algumas frutas e verduras. Deve utilizar-se em aves com esterilidade, alterações musculares e intestinais. A sua carência pode provocar esterilidade, morte embrionária e outras complicações orgânicas.

   Colina: formando parte do grupo B, é óptima na eliminação de gorduras e toxinas do organismo. Evita problemas hepáticos. Podemos encontrá-la na levedura de cerveja e gérmen de trigo.
   Como já foi referido em pontos anteriores, as fontes naturais não são suficientes para as aves, daí o uso necessário de vitaminas sintéticas, que hoje encontramos de boa qualidade e com facilidade no comércio especializado. Em relação à, qualidade esta é relativa, pois há inúmeras marcas no mercado onde naturalmente umas são melhores que outras, devido à sua concentração e fabrico. A qualidade nunca pode andar longe do preço, ou seja, pela lógica o que é barato nunca terá boa qualidade. Muitas vezes optamos pelo mais barato e acabamos por ser iludidos, pois a dosagem exigida é maior e as necessidades das aves não são supridas, o que acaba por nos trazer mais custos e outros problemas. Aconselho a seguirem a escolha de produtos recomendados por criadores experientes e com conhecimentos e mais importante ainda que sejam da vossa confiança.
   Quando da administração de vitaminas ou antibióticos deve utilizar-se água em solução açucarada, para tornar a bebida mais apetecível, fazendo com que as aves não a rejeitem.

   A água: Elemento importante no bom funcionamento do organismo das aves. A água deve estar sempre á disposição das aves, limpa e fresca num bebedouro. Cada vez mais a água da torneira não é de boa qualidade, pois é da companhia, e contêm bastante cloro, daí aconselhar o uso de água mineral sem gás, pois o consumo de água pelas aves é reduzido. Principalmente aquando da administração de antibióticos ou vitaminas mudar a água de 12 em 12 horas. Água limpa deve ser mudada diariamente, pois se ficar mais de 24 horas principalmente durante os dias de calor tende a fazer proliferar bactérias e micróbios nocivos.

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