O tempo de que se dispõe para tratar da passarada deve ser compatível com o número de canários que se adquirir. Para quem se inicia nestas lides, convém ter, no máximo, uma criação com dez canários. Mais poderá ser desastroso para o criador e para os seus pássaros. Depois há a questão do espaço físico. As gaiolas devem ser colocadas em zonas arejadas e com boa ventilação. O piso da gaiola não deve ser de madeira nem possuir buracos ou fendas, já que estes são uma excelente morada para os piolhos, ácaros e outros microrganismos. O piso ideal é liso, propicio para facilitar a limpeza frequente da gaiola. Outra questão bem pertinente: evitar o grande problema da sobrelotação. Para criar um casal de canários, deve ter uma gaiola com um metro cúbico.
A cor nos Canários
Todos os canários que hoje conhecemos têm como ancestral o Canário Silvestre, que tem uma cor verde-acinzentada. Tal cor deve-se à presença de três substâncias: eumelanina, lipocrómo, e feomelanina. As melaninas são pigmentos escuros e os carotenóides ou lipocrómos são pigmentos amarelos. Um canário é lipocrómico quando não apresenta na sua plumagem pigmentos melânicos. Um canário é completamente branco quando se verifica em simultâneo a eliminação de ambos os pigmentos.
Em todas as variedades de canários existem dois tipos de plumagem, o tipo nevado e o tipo intenso, diferindo na intensidade da coloração das penas. Os canários nevados têm uma tonalidade mais clara e um aspecto mais volumoso. Os canários intensivos têm uma tonalidade mais intensa, dando a ideia de uma ave mais esguia, com as penas mais aderentes ao corpo.
Os canários de cor, subdividem-se em canários sem factor vermelho e canários com factor vermelho. Os primeiros são todos aqueles em que na sua plumagem não exista o factor vermelho.
A cor vermelho deve-se a um carotenóide, a catanxantina, que se encontra em determinados vegetais. Por ser uma operação que decorre maioritariamente do fígado, só as aves saudáveis devem adquirir a cor vermelha uniformemente.
A cor vermelha "dilui-se" e em alguns casos desaparece na totalidade, com a muda da pena, sendo importante nesta fase que as aves disponham de substâncias pigmentárias na sua alimentação, para que se mantenha a tonalidade. Não se devem administrar grandes quantidades, mas sim em porções adequadas, ou seja, diariamente.
Além da plumagem intensa ou nevada, há a considerar a variedade mosaico, que consiste em duas cores completamente diferentes, distinguindo-se com facilidade o macho da fêmea pelo efeito das tonalidades de coloração.
LIPOCRÓMICOS
A principal característica dos Lipocrómicos é a de apresentar um pigmento chamado lipocromio ou cor de fundo e ausência de melaninas. A cor cobre o canário em toda a extensão do corpo. O amarelo é a cor mais difundida nesta espécie.
MELÂNICOS
Estes canários apresentam um estrutura melânica, formada por eumelanina negra ou castanha ou por feomelanina castanha clara. O desenho melânico é constituído por marcações, barras e estrias dorsais. Estas aves denotam uma cor gorda, amarela, vermelha ou branca. As cores das patas, do bico e das unhas depende da eumelanina existente. Nestes canários existem dois grandes grupos: os melânicos clássicos e os melânicos de novas cores.
ÁGATA TOPÁZIO
Trata-se de uma ave dotada de um factor independente e recessivo e existe nas cinco cores base: amarelo, vermelho, branco, mosaico amarelo e mosaico vermelho.
Eis algumas das suas características típicas: presença de feomelanina o mais reduzida possível, os contornos das penas são amplos e claros, os flancos são marcados, o bico, as patas e as unhas são cor de carne e os olhos são pretos.
CANÁRIO DA TERRA
No Brasil existe um canário indígena, o qual não é tão conhecido como o de outras espécies. Quando novos são esverdeados, mas os machos adultos são de cor verde-amarelo em cima e na frente. Em estado selvagem os machos são muito ciosos e lutam entre si, sendo encorajadas pelas fêmeas. As vezes, prolongadas, terminam com a fuga do vencido perseguido pelo vencedor. Adaptam-se facilmente à vida de cativeiro e alimentam-se de alpista ou de diversas misturas. Também gostam de verduras como o agrião e a chicória.
Alimentação
A alimentação influencia consideravelmente a saúde, procriação e o crescimento de todos os animais, sendo esta verdade igualmente aplicada aos canários. A base da sua alimentação é uma mistura de sementes, a qual se completa com verdura e frutas, papa de ovo, vitaminas e minerais. Há criadores que adquirem as diversas sementes em separado, fazendo posteriormente a mistura na percentagem que entendem ser a mais correcta. Existem ainda outros canaricultores que dão as sementes aos seus canários em separado, ou seja, cada variedade é colocada num recipiente individual. Este critério é baseado no desperdício de alimento que, por vezes, se verifica quando as aves deitam fora dos comedouros grandes quantidades de sementes, ao procurarem as que lhe são mais do seu agrado.
As sementes devem ser diariamente colocadas num só recipiente, numa mistura proporcional que se tenha decidido adoptar. Uma vez por semana pode-se dar, como guloseima e em pequena quantidade, uma mistura de sementes gordas.As sementes consideradas fundamentais para uma boa alimentação dos canários, variando a sua proporção consoante as raças e os critérios do canaricultor, são:
Alpista, Nabo, Colza, Níger, Aveia, Linhaça, Cânhamo e
Painço.
Reprodução
O ciclo da reprodução dos canários, desde a postura dos ovos até que as crias saiam do ninho, dura cerca de um mês. Durante esse tempo, os pássaros têm de cumprir uma série de obrigações que são reguladas por processos biológicos complicados. Se uma das fases desse processo não se desenrola normalmente, todo o ciclo pode vir a ser perturbado. É necessário ter em conta que os canários são individuais e que têm gostos diferentes. Não se pode tratar todos da mesma maneira. Há quem diga que existem aves mais fáceis de criar do que os canários, mas isso não é bem verdade desde que se tenha espaço, gosto e paciência.
Saber a altura certa para juntar os canários é um dado essencial, pois eles são muito influenciados pela duração dos dias, mas também são sensíveis ao aumento das temperaturas. Os meses de Março, Abril, Maio e Junho são os mais propícios para fazer criação. Há basicamente dois métodos: um consiste em juntar o macho e a fêmea durante todo o ciclo, para que ambos partilhem as tarefas como um bom casal. É talvez o mais natural e deve ser posto em prática desde que hão exista nenhum inconveniente. O outro método consiste em retirar o macho no final da postura, ou porque ele é agressivo e pode perturbar o choco, ou porque queremos aproveitar as suas boas qualidades para o juntar a outra fêmea. É necessário estar atento. Há machos que criam melhor os filhotes do que as próprias fêmeas e há fêmeas que abandonam o ninho se o macho for retirado. O melhor é conhecer bem as aves e optar pela melhor solução para cada caso.
Muda
A muda faz parte do ciclo anual da ave, podendo mesmo dizer-se que é a última fase de um ciclo reprodutivo. Em Portugal ocorre em fins de Julho, Agosto ou Setembro. A substituição de todas as penas debilita as aves e, normalmente, os machos deixam completamente de cantar. No primeiro ano, as penas das asas e da cauda são substituídas por outras sem apresentar nenhuma parte do corpo completamente desprovida de penas. Como a ave se encontra mais débil, devem ser redobrados os cuidados com as correntes de ar e as mudanças bruscas de temperatura.
Durante a muda, a alimentação deve ser equilibrada, não esquecendo as vitaminas, minerais e aminoácidos. É durante a muda que normalmente se administram certas papas para melhorar a cor dos canários. Como estas papas são demasiado ricas em gorduras, é necessário tomar atenção às quantidades e qualidade dessas papas. As cores depositadas nas penas durante a época da muda mantêm-se até à próxima mudança de plumagem. Uma das coisas em que parece não existir consenso é o banho durante a muda. Há quem diga que atrasa o processo e pode causar problemas.
Terminada esta fase, os machos recomeçam a cantar e é a melhor altura para decidir quais as aves a manter. E também a melhor altura para comprar novos canários. Quando a muda aparece fora da época normal, tal pode dever-se a uma exposição prolongada a calor excessivo. a uma dieta inadequada ou até a um ataque de ácaros, Nestes casos pode-se falar em doenças.
As Gaiolas
Os canários são aves de cativeiro e como tal teriam poucas probabilidades de sobreviver se forem postos em liberdade. Como as aves passam a sua vida na gaiola, deve-se fazer, com que elas se sintam saudáveis e felizes. Uma regra importante é que o pássaro possa voar entre os poleiros, o que será muito benéfico para a sua saúde. É comum indicarem-se quatro tipos de gaiolas: para canários cantores, para criação, para viveiro e para enfermaria. As gaiolas para canários cantores são as mais pequenas. Destinam-se normal mente a alojar um macho sozinho. São indicados como mínimos 50 cm de comprimento, 25 de largura e 35 de altura.
As gaiolas de criação existem em duas variantes bem definidas: uma quase totalmente em madeira e outra totalmente de grade. Nos dois tipos há a possibilidade de dividir a gaiola ao meio, quer para separar o macho da fêmea no inicio do acasalamento, quer para separar as aves jovens até estas dominarem a técnica que lhes permite descascar as sementes. Para a criação de canários de tamanho normal, podem ser Indicadas, como mínimo, as seguintes medidas: 60 cm de comprimento, 30 de largura e 40 de altura.
A gaiola enfermaria destina-se ao tratamento dos animais doentes. Pode ser de madeira, bastante isolada e com aquecimento, geralmente num fundo falso, pelo que deverá ter um termostato.
Classificação Zoológica
Numa classificação sistemática, diremos que o Canário pertence ao Tipo dos
Cordados, Subtipo dos
Vertebrados, à Classe das
Aves, à Ordem dos
Passeriformes, à Subordem dos
Passeres, à Família dos
Fringílias ou
Fringilíos. Dentro desta Família, os canários encontram-se incluídos quase exclusivamente no Género
Serinus e na Espécie
Serinus canarius.