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DOENÇAS |
Anemia
O canário apresenta o bico, as penas e os olhos muito pálidos, descorados, tem falta de apetite e um emagrecimento acentuado.
A causa da doença é a falta de glóbulos vermelhos provocada por uma deficiente alimentação, carência de vitaminas, podendo ter contribuído a falta de espaço para a prática de exercícios ou ainda o contágio de algum parasita.
O tratamento consiste em acrescentar à dieta papa de ovo, a mistura de sementes ser bem limpa, verduras frescas e um complexo vitamínico.
Artrite ou reumatismo
Manifesta-se pelo inchaço das articulações do canário, principalmente nas asas ou patas. Quando afectado procura mais o fundo da gaiola que os poleiros.
As causas principais podem ser reduzidas a três — hereditariedade, local húmido ou deficiente alimentação.
O tratamento consiste em lavar a zona dorida e inchada com um desinfectante próprio diluído em água tépida e seguidamente aplicar pomada farmacêutica especial para estes casos. Fornecer na alimentação abundância de verdura e cenoura.
Asma
O canário tem dificuldade na respiração, ficando muito cansado ao menor esforço. Bebe muita água e vai lentamente perdendo o apetite.
A causa pode ter sido uma corrente de ar, falta de higiene nas instalações, poeiras nas sementes ou ainda devido ao facto de o local onde se encontra ser muito húmido.
O tratamento consiste na aplicação de produto farmacêutico próprio, atenuando a doença as seguintes medidas: dar bastante espaço ao canário para que possa fazer exercícios, mantê-lo num lugar aquecido e de temperatura constante, reduzir-lhe na alimentação as sementes «gordas» e aumentar os vegetais.
Bronquite
Os canários respiram com dificuldade, espirram com frequência, mantêm o bico semiaberto e as fossas nasais ficam húmidas. O seu aspecto é deprimido, as penas eriçadas, dormita constantemente, pouco come e o macho deixa de cantar.
As causas são várias, entre elas a mudança brusca de temperatura, o ar bastante poluído ou correntes de ar, ou ainda alimentos pouco frescos.
O tratamento, em tempos idos, era colocar um pouco de toucinho fresco, na gaiola. Hoje, adquire-se no comércio da especialidade medicamento apropriado e aplica-se segundo a indicação. É vantajoso colocar o canário em ambiente aquecido e a uma temperatura não muito variável.
Calosidade
Há que ter cuidado para não confundir calosidade com excrementos secos que se acumulam nas patas. O canário sente dificuldade em assentar os dedos no poleiro, reflectindo certa inquietação e nervosismo. Os dedos ficam grossos e, por vezes, inflamados.
O tratamento consiste em mergulhar a planta do pé e dedos em vinagre amornado, cerca de cinco minutos, e seguidamente com azeite tentar arrancar a calosidade, sem molestar a avezinha. Modernamente existem pomadas muito boas, de cuja aplicação se obtêm óptimos resultados.
Calvície
O canário apresenta-se com falta de plumagem, «peladas», mais frequentes na cabeça ou parte superior do corpo.
A doença é atribuída normalmente a uma deficiente alimentação, a carência de vitaminas, excessivos acasalamentos ou algum parasita.
Não há tratamento especial que se possa indicar para combater a calvície, a não ser dar ao canário um complexo vitamínico, manter uma alimentação rica e cuidada e conservá-lo num ambiente aquecido.
Cólera
O canário tem as penas eriçadas, um aspecto sonolento e cansado, deixa de se alimentar e tem muita sede, naturalmente pelo estado febril em que se encontra. As fezes apresentam-se líquidas, esbranquiçadas e, por vezes, com sangue.
A causa da infecção é o contágio, por intermédio dos alimentos, da água ou fezes, das aves afectadas. Trata-se de uma doença muito contagiosa, por vezes tão violenta que nada há a fazer, não sendo possível o seu tratamento. A resolução sensata em casos de gravidade, embora dolorosa, é procurar morte rápida para os canários contagiados antes que o mal se propague a todo o plantei.
Se o criador pretende tentar salvar os canários que apresentam os sintomas da doença, consultará um veterinário, iniciando entretanto com toda a urgência o isolamento das aves e uma desinfecção completa às instalações.
Congestão pulmonar
O canário tem dificuldade em respirar, as penas estão muito eriçadas, perde a vontade de se alimentar e o macho deixa de cantar.
Esta doença é difícil de detectar, pois muitas vezes a morte é súbita, quando o canário está a cantar entusiasticamente; aliás, é mais frequente dar-se nos canários cantores.
Quando a morte não é repentina, o tratamento para salvar a ave é relativamente violento, pois consiste em cortar uma unha deixando correr algumas gotas de sangue. De seguida, desinfecta-se a área afectada.
Conjuntivite
O canário apresenta os olhos vermelhos, inchados e, por vezes, mesmo fechados.
Esta afecção tem quase sempre duas origens — uma infecção ou contágio. Não sendo tratada com urgência, pode causar a cegueira.
O tratamento consiste, em primeiro lugar, em isolar o canário e usar todas as medidas higiénicas ao nosso alcance. Lavar a vista com desinfectante próprio diluído em água tépida e seguidamente aplicar uma pomada oftalmológica indicada para estes casos e que hoje se adquire facilmente na farmácia ou outros estabelecimentos da especialidade.
Debilidade
O canário apresenta-se com menos vitalidade que o habitual pelo estado de fraqueza em que se encontra.
As causas podem estar numa alimentação incorrecta, falta de vitaminas ou sais minerais, fêmea que faça demasiadas incubações ou macho que fez vários acasalamentos.
O tratamento consiste em fornecer uma boa e variada alimentação e dar também um complexo vitamínico.
Diarreia
O canário evacua constantemente, os excrementos são líquidos e o seu abdómen apresenta uma cor avermelhada.
As causas andavam associadas à falta de higiene nas instalações ou a uma alimentação imprópria.
Como tratamento, diremos que o isolamento da ave num ambiente aquecido, em temperatura não muito variável, é sempre um auxiliar. Modernamente existem antibióticos apropriados a esta doença. Retirar a verdura e sementes «negras», dando durante alguns dias apenas alpista.
Epilepsia
Manifesta-se sobretudo nos canários jovens. A ave cai repentinamente no fundo da gaiola e fica como morta para, momentos depois, se levantar e retomar o ritmo de vida normal como se nada tivesse acontecido.
As causas podem ser um desequilíbrio do sistema nervoso, parasitas internos ou até um estado geral de fraqueza.
O ataque epiléptico pode ser dominado num primeiro momento mergulhando a cabeça do canário em água fria, retirando-a de imediato. Se os ataques sâo frequentes e a origem é hereditária nada se pode fazer. Nos casos em que a manifestação é devida a acidente (susto de uma gaiola que cai, longa exposição ao sol) pode ser curável aplicando medicamentação apropriada.
Fígado (Doença do)
A doença do fígado manifesta-se por um grande volume no abdómen. O canário perde o apetite, pouco canta, tem um aspecto sonolento e as fezes líquidas.
As causas podem ser uma alimentação imprópria (sementes velhas) ou excessiva, o canário gulosamente comer a papa destinada ã fêmea, debicar alimento estragado.
O tratamento consiste em dar só sementes «magras» durante alguns dias, retirando as «gordas» e excluindo também da dieta toda a verdura e papa de ovo. Na água pode juntar-se medicamento apropriado, adquirido no comércio. Depois de curado o canário retoma a alimentação normal.
Obesidade
O corpo do canário apresenta um aspecto quase deformado, perdendo a elegância, o porte da raça em que se insere e, consequentemente, o seu valor comercial.
As causas podem ser a falta de exercício por a gaiola em que se encontra ser pequena ou, no caso de habitar em viveiro, o mesmo ser demasiado povoado, não permitindo que voe livremente. A assimilação de grande quantidade de alimento ou a percentagem elevada de sementes gordas na dieta podem igualmente estar na origem da obesidade.
Como se deduz, a forma de evitar esta manifestação no canário é dar-Ihe grandes espaços para exercício e fornecer-lhe uma dieta substancial, mas sem gorduras.
Parasitas externos
Vários são os parasitas que atacam os canários, mas vamos apenas referir dois — o piolho e o ácaro.
O canário portador de parasitas sente irritação na pele, acompanhada de comichão, chegando a ferir-se com tamanho mal-estar. O piolho vive permanentemente no corpo da ave, enquanto o ácaro só ataca de noite para sugar o sangue, permanecendo escondido durante o dia em pequenas fendas ou poleiros ocos, das gaiolas.
As causas são a pouca limpeza e higiene nas instalações, havendo casos em que podem ter aparecido ao adquirir-se uma ave nova, portadora desta praga.
O tratamento é hoje muito simples, pelo avanço da técnica. Existem no comércio produtos apropriados em forma de sprays, eficientíssimos, bastando aplicá-los no local e instalações dois ou três dias.
Perda de voz
A perda de voz ou afonia manifesta-se parcial ou totalmente no canário, que deixa de cantar.
As causas podem ter origem numa ligeira afecção da laringe, numa corrente de ar, na mudança para um outro meio ambiente ou até enfraquecimento.
Como tratamento, é aconselhável manter a ave em lugar quente e temperatura sem grandes alterações, ter cuidado com a higiene e alimentação, esta enriquecida com papa de ovo. A afonia só é grave para o canário e preocupante para o criador, quando se torna permanente.
Pevide
O canário tenta alimentar-se sem o conseguir. A doença deve-se ao crescimento de uma substância córnea que se vai tornando saliente na parte que forra a ponta da língua do canário.
O tratamento faz-se arrancando com muito cuidado a calosidade com a ponta de um alfinete, bem desinfectado, evitando ferir a língua. Há quem aplique, de seguida, um pouco de azeite no local afectado.
Prisão de ventre
Manifesta-se pelo esforço que o canário tem de fazer para evacuar, por os excrementos serem bastante duros.
A causa é atribuída a uma deficiente alimentação, normalmente a um excesso de sementes gordas.
O tratamento é simples, não havendo necessidade de recorrer a medicamentos. Basta fornecer ao canário verdura em abundância durante dois ou três dias e retirar-lhe as sementes «negras» e a papa de ovo. No caso de continuar, dá-se pelo bico dois ou três pingos de azeite.
Quistos
O canário apresenta inchaços ou saliências, sendo mais frequente o seu aparecimento na cabeça, pescoço ou asas.
Os quistos são, geralmente, motivados por penas encravadas, uma excessiva plumagem ou, nalguns casos, fruto de hereditariedade.
O tratamento consiste em aplicar, diariamente, tintura de iodo no quisto aberto (ou que se abriu) e em toda a zona circundante.
Sarna
Manifesta-se nos dedos do canário, pelo endurecimento e descarnação do tecido que os envolve, seguindo-se o aparecimento de uma matéria pegajosa, viscosa, de cor esbranquiçada, por vezes em forma de crosta.
As causas da sarna devem-se ao aparecimento de parasitas invisíveis que encontram campo aberto para se instalarem onde não existe limpeza. É evidente que um factor a ter em conta é a higiene nas instalações, medida preventiva indispensável.
O tratamento consiste em lavar os dedos do canário com desinfectante diluído em água tépida (há criadores que utilizam o limão), friccionando seguidamente com pomada apropriada, adquirida no comércio da especialidade.
Tifo
O canário apresenta um aspecto triste, as penas eriçadas, procura o fundo da gaiola para refúgio e solidão, tem febre e diarreia.
A doença pode ser transmitida através da picada de insecto que tenha estado pousado num canário doente ou devido à ingestão de alimentos ou água em más condições.
É uma doença terrível, pois se aparece de uma forma aguda os canários morrem todos repentinamente e, se se manifesta menos intensa, não resistem mais do que quatro ou cinco dias. Há que proceder com toda a urgência a uma desinfecção rigorosíssima de todas as instalações.
Tuberculose
O canário começa a emagrecer, rejeita a comida, anda triste, cansado e febril.
A causa pode ser uma transmissão hereditária, mudanças bruscas de temperatura ou correntes de ar.
É uma doença muito contagiosa. Quando se tem a certeza de que os canários estão a morrer com este terrível mal, suprime-se os que estão atacados e faz-se uma desinfecção rigorosa às instalações. Se há apenas suspeita dá-se-lhes espaço para voarem e fornece-se uma alimentação rica e cuidada, administrando-se antibiótico. Mesmo só com suspeita, há canaricultores que eliminam os canários, a fim de evitar o perigo de contágio às aves saudáveis.
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Gaspar Brogueira |